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Publicarei noticias esportivas de guarapuava e região , e algumas fotos da história do futebol em guarapuava .

sábado, 26 de setembro de 2009

Homenagem ao Professor Wellington Moreira


Equipe do Gremio Oeste
professor Wellington no auge dos seus 70 anos
equipe do Blue Star de Basquete



OFICIO COM PRAZER




O desfile era aguardado pela população guarapuavana e pelas comunidades circunvizinhas com muita expectativa. Sim, a apresentação das escolas no desfile de 7 de Setembro era um espetáculo concorrido na cidade. Em especial, a performance da fanfarra do Colégio Manoel Ribas que, a cada ano, superava-se em criatividade, com suas evoluções, ritmos e acrobacias. A preparação da escola lembrava a produção de escola de samba, salvaguardando as devidas proporções. Os alunos disputavam uma vaga no elenco com muito afinco; ser um integrante da banda rendia fama no meio estudantil. O responsável pelo êxito da Fanfarra do Colégio Manoel Ribas era o Professor Wellington que, afora suas atividades profissionais, como professor, dedicava-se, em tempo extra, voluntariamente, como instrutor da fanfarra, além de ter sido o seu fundador. Dirigia e cuidava pessoalmente do processo todo. Desde a criação e a elaboração de evoluções, passando pelas invenções de ritmos e acrobacias, dando sugestões no uniforme (nas cores vermelha, branca e preta), que, curiosamente, envergava as cores do tricolor Grêmio Oeste, time do coração do professor e, por fim, responsabilizando-se pela reforma dos tambores, instrumentos que, por muitas vezes, dividiram espaço, em sua residência, com a família, para ajustes emergenciais. A fanfarra do “Manoel Ribas” representou Guarapuava em diversos concursos e apresentações Brasil afora. Sempre arrancando aplausos e assovios do público. O sucesso era certo!.

Dia de trabalho, dia de obrigações rotineiras. Assim poderia ser observado, de banda, por muitos trabalhadores. Não por Wellington! Lecionar para ele era muito mais que obrigação, era um prazer. Tinha por sua profissão amor incondicional. Dar aulas não era apenas um meio de sobrevivência, era, sim, um estado constante de felicidade. Ele lecionou por mais de trinta e cinco anos nas cadeiras de Educação Física, Horticultura e Jardinagem. Diverte-se, ainda, em troças, alardeando que da Rua XV de Novembro (rua principal da cidade) abaixo, todos haviam sido seus alunos. E que da parte alta, Rua XV de Novembro acima, tinha sido professor de todos os moradores. Suas aulas eram concorridas. Eram aulas práticas com muito dinamismo e informação. O respeito que o professor nutria pela saúde do corpo era demonstrado nas aulas de Educação Física, com os esportes que ensinava (basquete, vôlei, handebol e futebol), e com a preparação física, dando exemplo de como tratar do próprio corpo. Álcool, tabagismo, drogas e outros vícios nocivos à saúde eram combatidos à exaustão nas suas aulas. Na instrução de Horticultura, a alimentação era o mote. Conscientizava seus alunos do valor nutricional das hortaliças. Tinha, ainda, a constante preocupação, já naquela época, com a saúde do planeta. Em suas aulas de Jardinagem, ensinava seus alunos a plantarem muitas árvores e a retirarem o lixo dos riachos da cidade para a preservação do meio ambiente, criando consciência ecológica nos infantes. Pregava, também, o civismo, o moral e a educação e tinha uma relação diferenciada com seus alunos, como a de entre pai e filhos. Foi um professor respeitado na comunidade, tornando-se uma referência.

Wellington atuou, ainda, no Escotismo. Foi Chefe do Grupo Escoteiro Gurupiá, sediado nos fundos da Catedral, por anos a fio. Desenvolveu nos escoteiros a consciência de respeitar a natureza, ensinando seus discípulos a desfrutarem do meio ambiente sem poluí-lo e a terem uma convivência pacífica com a fauna e a flora. Instruía seus pupilos a sobreviverem na mata, lendo nas estrelas ou na luz solar o caminho das pedras, identificando raízes comestíveis e tirando água de plantas. Desbravavam montanhas da região. Certa vez, quando escalaram uma montanha vizinha ao Morro do Chapéu, na Serra da Esperança, os escoteiros não imaginavam a dificuldade que enfrentariam. Subiram as escarpas do morro por árduas horas mas, bravamente, chegaram ao seu pico. De lá, desfrutaram da vista encantadora da cadeia de montanhas da serra, perspectiva proporcionada, apenas, a quem se atreve a desafiar os perigos da escalada. Vencida a montanha, tomaram de assalto o seu cocoruto e lá deixaram a bandeira do grupo cravada na terra que, por tempos, ainda seria avistada por viajantes que subiam a serra pela rodovia BR-277, sentido oeste, que leva a Guarapuava. Decidiram descer pelo lado oposto e tiveram, também, muitas dificuldades, mas, igualmente, todos os obstáculos enfrentados foram vencidos. No pé do morro veio a recompensa. Descobriram um salto espetacular. Era o Salto São Francisco, com sua imponente queda d`água de mais de 100 metros de altura. O aprendizado que absorveram da natureza, levaram para a vida adentro.

Outra grande paixão do Professor Wellington foi o halterofilismo vivido, em sua plenitude, nas academias de ginástica que, paralelamente ao seu ofício de lecionar, montou na cidade. Em Guarapuava, foi pioneiro nesse esporte e nesse tipo de negócio. Entre seus mais fiéis seguidores, destacamos Teno e Dirceu Rossoni, seguidores no fisiculturismo, que deram continuidade a esse tipo de empreendimento, cada qual montando sua própria academia de ginástica. Simultaneamente, o que embalava suas emoções eram as lutas livres, outra realização inédita na região. Cultuou o corpo e a mente com o mesmo ardor que nutriu sua paixão por Zezé.

O Professor Wellington participou da montagem de diversas equipes esportivas (basquete, vôlei e handebol) na cidade e também foi atleta de basquete e futebol amador da região. Foi jogador do “Blue Star”, famoso time de basquete formado por professores da cidade nos anos cinquenta e que ainda hoje subsiste em pleno vigor e do grande time do G.E.O., em 1956. No futebol, foi boleiro do Pavão e do Grêmio Oeste, jogando como goleiro. Na pelada, geralmente, a posição de goleiro é relegada aos menos habilidosos. No futebol, diferentemente do basquete, onde se saía muito bem, Wellington oscilava entre grandes e maus momentos, com defesas espetaculosas e alguns frangos inenarráveis. Mas sempre se orgulhou de ter atuado como arqueiro. Nem a solidão do uniforme diferente ou muito menos o calvo terreno ao qual era confinado, o demoviam de envergar a camisa número um.

Muita história que faz com que Wellington, hoje, no gozo de sua aposentadoria, vislumbre no passado de trabalho, anos felizes. Trabalho que se confundia com diversão. Trabalho que produzia prazer. Sua carreira, água lustral que do respeito ao próximo dimana, vive latente na sua memória.









Um comentário:

paixão disse...

PARABÉNS PATO, pela bela e honrosa homenagem que fez para meu pai, realmente Prof. Wellington é um grande homem por tudo que fez em sua caminhada, deixando por onde passava grandes lembranças, sempre fazendo tudo com muito carinho e amor. Parabenizo novamente você PATO pela homenagem em vida. Um forte abraço.