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Publicarei noticias esportivas de guarapuava e região , e algumas fotos da história do futebol em guarapuava .

quinta-feira, 17 de setembro de 2009

GREMIO ESPORTIVO D'OESTE

Em pé-Banjo; Levis; Manoelito; Jorge Andrade;Alvaro; Paulo Dias; Alfaia e Di cesar
Agachados- Serelepe; Jedir; Silvano; Ciro;e Passarinho

Grêmio Esportivo D`Oeste


Apesar do prenúncio de bons ventos para o futebol brasileiro no início da década de 70, o futebol paranaense enfrentava tempestades. Por dificuldades financeiras, praticamente todos os clubes tiveram de cortar gastos. Violência, suborno e doping foram os costumeiros ingredientes da competição. E a má notícia para os torcedores do futebol paranaense foi o aumento do preço dos ingressos que, na época, passou para quatro cruzeiros novos. Segundo o jornal O Estado do Paraná, “muitas das modificações não passaram de um golpe baixo dos cartolas, como a majoração do preço dos ingressos, a cobrança de ingresso à torcida feminina e a concessão de autonomia ao Departamento de Árbitros que causou prejuízos irremediáveis ao futebol do Paraná”.
No primeiro dia de fevereiro de 1970, dava-se o início do Campeonato Paranaense. Os participantes daquele ano foram: Atlético Paranaense, Coritiba, Grêmio Oeste, União Bandeirante, Grêmio Maringá, Seleto, Ferroviário, Água Verde, Londrina, Paranavaí, Apucarana, Operário, Jandaia e Cianorte. O campeonato foi realizado em turno e returno e decidido num hexagonal, sempre por pontos corridos; nessa época, contavam-se dois pontos para a vitória e um para o empate. Os dois primeiros turnos foram divididos em duas chaves de sete clubes cada, que jogavam entre si. Ao final, classificavam-se três equipes de cada chave. As seis classificadas disputavam o título num hexagonal final. Os classificados foram: Coritiba, Grêmio Oeste e União Bandeirante, do Grupo A; e Grêmio Maringá, Seleto e Atlético Paranaense, do Grupo B.
O Atlético Paranaense, atolado em dívidas e vindo de sucessivos insucessos, começava a competição como franco azarão. O rubro-negro, com um time medíocre, perdendo uma partida atrás da outra, segurou a lanterna da competição, na primeira fase. A sobrevivência do clube era importante não apenas para a sua torcida, mas também para o próprio futebol paranaense. Diante da gravidade da situação e consciente de que o clube não poderia morrer, a diretoria pediu socorro aos seus torcedores. Tal medida exteriorizava o desespero do clube. E foi assim, com o apoio da sua torcida, que o clube sobreviveu. Aos trancos e barrancos, surpreendentemente, conquistou o campeonato daquele ano e, ainda, fez o artilheiro da competição: Sicupira.
O grande favorito da competição era o Coritiba. Tinha tudo para chegar ao tri-campeonato paranaense. Mas não esperava que seu maior adversário, capaz de ofuscar o brilho dos imbatíveis coxas-brancas, estaria fora do campo de jogo, e muito menos imaginar que residia no Estádio Belfort Duarte (hoje Estádio Couto Pereira), na sede do próprio clube. Sim, os cartolas do alviverde, antevendo um possível descompasso do time, resolveram “entrar em campo” e, como sempre acontece quando a “cartolagem” abandona suas luxuosas salas, jogar baixo. Numa tentativa derradeira e desesperada de “melar” o campeonato do rival e coroando o ano por erros e deslizes, apresentaram um recurso no Tribunal de Justiça Desportiva, alegando que o rubro-negro tinha colocado em campo um jogador irregular. Ledo engano! A série de enganos do Coritiba passou pelo Estádio Bororó e fez vítima o Grêmio Oeste, tricolor do Tio Capa (eterno e folclórico presidente do clube, Romeu Manoel Loures Bastos – que hoje dá nome ao estádio). Apesar de o Coritiba jogar em Guarapuava como visitante, conseguiu arregimentar um batalhão da Polícia Militar, levada a tiracolo, para garantir os interesses dos cartolas alviverdes. Numa trágica tarde desportiva, o time Coxa-Branca escreveu uma triste página do futebol paranaense que, não fosse pelo exemplo a não ser seguido, deveria ser esquecida. Ambas as equipes precisavam da vitória para continuar sonhando com a Taça de Campeã. O Coritiba tentou de todas as maneiras, “sujas”, alcançar seu objetivo. Mas falhou!

A equipe do Grêmio Oeste contava com um plantel impressionantemente bom naquele ano. Atravessava grande fase. Seus jogadores, sem exceção, estavam no auge de suas carreiras. O esquadrão gremista perfilava nos gramados paranaenses com o time titular: Joãozinho, Tadeu, Zéquinha, Miúdo, Neiva, Zé Carlos, Zézinho, Válter, Davi e Gijo. Grupo fechado pelo punho firme da Comissão Técnica encabeçada por Diamante, técnico da equipe, e pelo preparador físico, Professor Wellington, prata da casa. O Grêmio, no decorrer da competição, credenciou-se à conquista do título, apresentando um futebol superior ao dos outros participantes, inclusive ao dos grandes clubes da Capital. A camisa coral do time guarapuavano, jogo a jogo, foi ganhando respeito e, na fase final, era temida pelos adversários. Nos jogos contra o Atlético Paranaense prevaleceu sempre o melhor futebol do Grêmio Oeste. Salvo o último e derradeiro jogo entre eles, pela arbitragem irregular e pelo diferencial de um craque: Sicupira.

- Grêmio Oeste X Coritiba.

O jogo era aguardado com muita expectativa pela comunidade e imprensa regional. O Grêmio jogava sua vida, nunca havia tido uma chance tão real de fazer história no futebol paranaense. Para continuar com chances de conquistar o título inédito de campeão, precisava vencer a batalha contra o time da elite do “Alto da Glória” e torcer pelo tropeço do time da Baixada. O tricolor estava muito concentrado e confiante para o jogo decisivo daquela tarde. Mas os bravos atletas da equipe guarapuavana conheceram, ainda fora das quatro linhas, os principais adversários daquela tarde de domingo. Por mais surreal que parecesse, a Polícia Militar trazida da Capital tentou barrar a entrada dos jogadores tricolores no Estádio. Como nos mais exagerados dramalhões do cinema, os boleiros tiveram que driblar os policiais para chegar aos vestiários do Estádio Bororó, disfarçados e misturados em meio aos torcedores, pelo portão principal. Já nos vestiários, os ânimos dos atletas tricolores fervilhavam. A provocação serviu apenas para mexer com o brio da equipe local, que ficou ainda mais focada no jogo. Os obstáculos impostos pela cartolagem da Capital, um a um, iam sendo vencidos pela determinação dos atletas gremistas. Mas em campo a história foi diferente. A grande equipe de Curitiba retardou sua entrada no gramado por longos 15 minutos, recheados pelas ameaças destiladas pelos cartolas. Para espanto de todos os presentes, o árbitro ignorou tal atraso, pressagiando tempo nebuloso em campo, apesar da tarde ensolarada. O Coritiba entrou em campo disposto a tudo e contava com a conivência explícita do árbitro da partida. Conluio descoberto pelo tricolor Álvaro Baiano, bom e experiente jogador de defesa, que havia chegado em terras guarapuavanas um ano antes, oriundo do Vasco da Gama, como um dos muitos reforços do Grêmio para construir a base do grande time que ora relembramos com incontido saudosismo. E que não se retruque à boca pequena, os indivíduos impudicos, que se elevou ilusoriamente o moral da equipe guarapuavana, levado pelo estreitamento da visão que o orgulho que se carrega no peito pode provocar, porque o time era bom. O jogo, desde o início, corria truncado; os jogadores, nervosos, se estudando. Baiano, que marcava homem-a-homem o estreante centroavante do Coritiba, considerado o jogador mais perigoso do time alviverde, aplicou-lhe uma falta dura. Quando viu que seria expulso, ladino, deu um pulo como um gato e, antes que qualquer torcedor tomasse tento do que estava acontecendo, prendeu o cartão vermelho na mão do árbitro, encobrindo a visão da plateia e, ao pé-do-ouvido do apitador, alertou-o das dificuldades que o forasteiro enfrentaria com a apaixonada torcida tricolor, caso o expulsasse. O árbitro, de pronto, respondeu que, então, não o expulsaria, mas que o Grêmio tampouco venceria a partida. Homem de palavra! Os gols marcados pelo Coritiba foram irregulares e o Grêmio teve muita dificuldade para jogar, sendo impedido ora pela violência dos jogadores alviverdes, ora pelo apito mal-intencionado do homem de preto. Mesmo assim, o tricolor estufou as redes do arqueiro coxa-branca por duas vezes. Gols legais que o árbitro não conseguiu anular pela mais absoluta falta do que alegar. O placar marcava o empate em dois gols, prejudicial para ambas as equipes, quando o árbitro, tardiamente, trilou o apito encerrando aquele vergonhoso espetáculo. O fim da batalha no campo deu vez ao confronto desenfreado nas sociais do estádio. A parcialidade do árbitro enervou a torcida tricolor que se manifestava tresloucada nas arquibancadas, e foi a deixa que a polícia coxa-branca esperava para baixar os cassetetes nos torcedores tricolores nas sociais do estádio. Os policiais colocaram-se estrategicamente enfileirados à indiana, de cima a baixo, nos degraus das cadeiras cativas, prontos para usar de violência para garantir o intento. A torcida das sociais teve que se defender da fúria daqueles que, em tese, estavam ali para protegê-los. A covardia dos policiais ecoou por todo o estádio e incitou os espectadores que testemunhavam indignados aquele malfadado acontecimento. A própria polícia local não acreditava no que acontecia naquela praça esportiva. Todos os torcedores detidos pela polícia forasteira eram encaminhados para a delegacia sitiada nos fundos das sociais e conduzidos pela polícia local que, ao invés de prender os “baderneiros”, reconduzia-os ao estádio pelo portão vizinho ao qual eram expulsos. Todos, inclusive a comissão técnica tricolor, entraram na briga, instigados pelo engodo. Um erro promovendo outros tantos injustificáveis! O triste espetáculo colecionou saldos negativos: desde pessoas feridas até a interdição do estádio, passando por muitos ônibus depredados. Muito ao contrário do que foi noticiado pela imprensa, a torcida, em momento algum, invadiu o campo. Esse “conto da carochinha” norteou o processo de interdição do estádio para eventos esportivos. Os maiores prejudicados desse lamentável episódio foram justamente as vítimas: a equipe do Grêmio Oeste, que jamais se recuperou desse triste golpe, pois o brilhante time daquele ano se desfez e o clube saiu da cena do futebol profissional, sobrevivendo, apenas, num formato amador, pelas mãos de poucos apaixonados torcedores; e a cidade de Guarapuava, que nunca mais contou com uma equipe tão competitiva, na divisão de elite do futebol paranaense, privando a torcida guarapuavana dos espetáculos futebolísticos.

O tiro do time coxa-branca saiu pela culatra! A vergonhosa atitude em Guarapuava não evitou o êxito rubro-negro. Entregou o título numa baixela de prata ao maior rival, como um bom garçom. O embuste promovido pelos Cartolas do Coritiba, na partida em Guarapuava, serviu apenas para manchar a grandiosa história do mais badalado e elitizado clube de futebol do Estado que, ironicamente, poucos anos depois, aprovaria a criação de uma torcida organizada com o nome de “Mancha Verde”. Felizmente, os anos que se seguiram daquele reprovável e intolerável episódio mostraram aos dirigentes do glorioso Coritiba, que uma equipe de futebol deve mostrar sua força e grandiosidade, única e exclusivamente, dentro das quatro linhas que delimitam o campo de jogo, superando o adversário em técnica, tática, entrosamento, garra e talento.


Materia de Julio Moreira

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